-Você já se sentiu assim antes? É como se meus olhos estivessem diante desse grande pedaço de água que cobre o mundo, mesmo meus outros sentidos não conseguindo compreender. Mas o mar está bem longe agora, estamos a sós. Talvez a lua nos vigie lá fora, talvez a brisa venha nos dar um olá. Talvez. Mas como é possível esse sentimento que explode dentro de mim a cada segundo que fico aqui a contemplar a sua beleza? Sinto como se não coubesse em mim. Talvez não caiba. Felicidade é o nome dele. Nada mais que isso. Ah! Como é bom morrer de amor e continuar vivo, não é mesmo? Mas, espere! Aonde você esta agora? É inevitável tentar imaginar por onde anda sua bela alma nesse momento, pra onde levaram o nosso para sempre. Talvez faça sentido eu não estar mais aqui já que entreguei minha alma à sua há tanto tempo atrás. Mas como ainda me sinto tão vivo? Eu não quero morrer. Ah, se você estivesse aqui tudo seria tão mais fácil. Arrancaram-lhe de mim pedaços por pedaços. Mas você ainda esta aqui. Ainda dorme aqui dentro comigo todas as noites. Eu não queria, mas devo aceitar que não sou o seu dono. Você é, somente, uma grande parte do que sou. Então você esta aqui! Ah, eu sabia! Mas não vá embora, não me deixe. Eu não tenho seu corpo, mas tenho o sentimento que compartilhamos. Amor é o nome que dão a isso, não é? Então eu te amo! Amo com todas as forças que possuo dentro de mim. Mesmo você não podendo me ouvir, espero que compreenda. Sei que vai compreender se me olhares nesse momento. Fique aqui, comigo. Não deixe a minha felicidade ir embora. Não deixe que a tirem de mim.
domingo, 3 de julho de 2011
terça-feira, 17 de maio de 2011
Saudade
- Pensei muito em você ontem á noite.
- É mesmo?
- Dormi pensando em você.
- Sonhou comigo?
- Não sei, não lembro.
- Ah.
(Silêncio)
- Foi para isso que ligou?
- Não...
- Não? Então pra quê foi?
- Digo, sim.
- Foi ou não foi?
- Não sei bem.
- Escute, eu estou um pouco ocupada agora e...
- O que você faz num domingo a tarde para estar ocupada?
- As coisas mudam.
- Algumas não.
- Você não pode pensar que ainda controla a minha vida.
- Eu nunca tive essa pretensão.
- Esse assunto não vai acabar bem...
(pausa)
- Eu sinto a sua falta.
- Eu também.
- Está legal ai?
- Ando conhecendo caras legais.
- Eu também.
- Está saindo com homens agora?
- Você entendeu.
- Sonhou comigo, não foi?
- Juro que não lembro.
(Silêncio)
- A ligação vai ficar cara.
- Desde quando se importa com isso?
- Eu me importo com muitas coisas que você não faz ideia.
- Realmente não faço.
- Você é uma delas.
- Eu me importo com você também.
- Da mesma forma que antes?
- Por que você está fazendo isso?
- O que?
- Pensou ontem em mim e agora acha que as coisas vão voltar ao normal?
- Quando foi que elas foram normais?
- Não dá pra conversar com você! Boa noite!
- É dia aqui ainda.
- Está vendo? Eu tenho mais o que fazer.
- Boa... Sei lá. Tchau.
- Espere.
- O que é?
- Não deixa de pensar em mim às vezes...
- Não vou.
- Eu também.
terça-feira, 22 de março de 2011
Somente
“Nunca tivemos a intenção de nos magoar. Ou mesmo nos decepcionar com as palavras que dissemos um ao outro. Palavras que eram repetidas quase que diariamente, quase como uma rotina.”
Eu apenas pensei isto. Apenas.
Permaneci com essa frase em meus pensamentos durante todos os momentos.
“Não agüento mais” ele dizia. Repetia.
“Vou embora daqui. Preciso me curar de você!”
Já soava natural. Frases tão cruéis não eram mais tão dolorosas. Ao menos, aos olhos dele, eu não fazia com que fossem. Na verdade, eu apenas não fazia nada para prender seus olhos em mim.
Algumas lágrimas secas ainda escorriam pela minha face.
O tempo passou muito depressa. A pressa levou consigo os carinhos e as atenções, que sustentam – e não somente na teoria, – qualquer relacionamento. E não é que eu tenha duvidado disso. Não. Eu apenas não fiz questão. Nós não fizemos.
O engraçado, não hilário, mas curioso, é que agora quando tudo finalmente se acabou, eu não me sinto como deveria. Não estou aliviada ou satisfeita, nem sequer estou sorrindo. Não me sinto melhor. Sinto-me ainda pior do que costumava. Sinto falta do que tínhamos. Do que éramos.
Eu poderia dizer que sinto falta de todas as coisas que nunca fomos. Das coisas que sempre fingíamos ser porque nunca gostamos do que realmente éramos. Poderia. Mas não sinto, mesmo.
Pela primeira vez na vida eu sinto falta de uma realidade própria. Sinto falta de todo o sofrimento, porque quando conseguíamos superá-los era como se queimassem fogos no céu. Uma sensação de êxtase percorria todo o meu corpo, e subia devagarzinho começando pelas minhas pernas até terminar em meus olhos.
Eu apenas sinto falta. Apenas.
Nunca tivemos a intenção de reviver o que passou. Já virou passado. Já se eternizou.
Olhei para o lado de fora da janela. Espremi meus olhos para que pudessem viajar até onde ainda conseguiam ver sem precisar inventar. Mesmo embaçada, era maravilhosa! Ainda mais maravilhosa que a imagem formada pela minha mente sempre que tenta ir mais além do que os meus olhos podem ver.
Era simples, talvez até chato. Mas era real.
domingo, 20 de março de 2011
Importante
- Peguei seu recado na caixa postal.
- Eu te liguei? Quando?
- Hoje mais cedo.
- Engraçado, não lembro.
- Parecia importante.
- E você só me retorna agora?
- Então era importante? Desculpe, só consegui chegar agora.
- Ah...
- Então?
- Então o que?
- O que era?
- Já disse que não lembro.
- Então tanto fazia a hora em que eu iria retornar.
- Claro que não. Se tivesse ligado ligado antes, eu teria lembrado.
- Como você sabe?
- Porque era importante.
- Então você sabe o que é!
- Já disse que não.
- Então como você sabe que era importante?
- Ué, você quem falou. A memória ta fraca hein?
- Eu disse que pareceu! Além do mais, você nunca deixa recado na caixa postal.
- E daí?
- E daí que devia ser algo urgente.
- É, talvez.
- E você não lembra!
- Às vezes não era nada não.
- Como não?
- Devia ta querendo bater um papo.
- Com a minha secretária?
- Não, com você.
- Você poderia ter esperado se era só isso.
- Claro que não.
- Por que?
- Por que agora eu esqueci.
- Então pronto, se esqueceu é porque não tinha importância.
- Como você tem tanta certeza?
- Se você esqueceu...
- O que isso tem a ver?
- Se fosse tão urgente, você ainda faria questão de me dizer.
- Mas eu faço, só não lembro.
- Você não entendeu...
- E por que você fica falando “urgente” e “importante” como se tivesse o mesmo significado?
- Que?
- Você fala como se o que eu tivesse para te falar fosse urgente e importante ao mesmo tempo.
- Aonde você quer chegar?
- O que eu tinha pra te falar era importante, mas não urgente.
- Ah!
- O que?
- Você quer discutir gramática agora?
- Não é discutir, to explicando só.
- Po, obrigado!
- Enfim, como eu estava dizendo, não era urgente.
- É, já entendi.
- O que pode ser?
- Não sei, pensa aí e depois me liga. Tenta me dar um dica da proxima vez que você deixar um recado na caixa postal.
- Espera, eu ainda não disse o que era.
- Já falei que não devia ser nada demais...
- Por que você ta cismando com isso?
- Ninguem esquece um assunto importante!
- Ué, eu esqueci. Mas continua sendo importante.
- Eu desisto!
- Desiste do que? Eu nem falei ainda...
- E nem vai! Cansei de falar.
- Mas você quem ligou.
- Liguei porque você fez isso mais cedo.
- É, fiz. Tinha algo importante pra te falar.
- Tô vendo.
- Ah!
- Lembrou?
- Não, mas você viu o jogo ontem?
- Não.
- Perdeu, foi um jogão.
- Trabalhei até tarde ontem.
- Pra melhorar o Fluminense ainda perdeu hoje.
- Eu ouvi no rádio.
- Devia ter assistido a esse também.
- Vou jantar.
- Te ligo mais tarde.
- Boa noite.
- Boa noite.
sexta-feira, 30 de julho de 2010
Lua Cheia
A roupa de cama estava amarrota sobra a cama de casal, vazia e branca demais, colocada exatamente no meio do meu quarto. Eu já havia trocado-a de lugar três vezes. Já havia me deitado, tentando dormir, mas eu mal conseguia piscar, com medo de perder alguma linha do pensamento.
Deitei-me novamente. Olhei a noite escura, a lua cheia que brilhava como um abajur focado em meus olhos. A culpa era dela! Levantei-me para fechar as cortinas. Meu quarto ficou preto, ainda mais que antes. Deitei-me novamente. Piscava os olhos dando intervalos longos, buscando incentivá-los. Virei-me para um lado, depois de bruços, depois para o outro... Nada!
Sentei-me ao pé da cama. Olhei o relógio: 3h30 da manhã. Abri novamente as cortinas e vi o meu quarto clarear. Fitei-a novamente. Tão grande e brilhante. Tão linda! Como era perversa de encarregá-la por minhas culpas.
Fui até o banheiro, lavei o rosto, escovei os dentes e sai depressa antes que pudesse me deparar com minha imagem no espelho. Vesti as roupas que estavam em cima da cadeira e, antes de deixar meu quarto negro, olhei-a novamente. Sentia-me terrível por tê-la escondido dos meus olhos.
Saí antes que alguém pudesse perceber o barulho; antes que eu mesma me desse conta do horário e da minha atitude insana.
Enquanto caminhava na rua, meus pés mecânicos moviam-se com muita rapidez. A minha mente não estava conseguindo dominá-los. Ela também não estava conseguindo se controlar. A lua cheia estava a amedrontando.
Caminhei bastante. Ate que cheguei ao seu apartamento.
Toquei a campainha e esperei.
Nada.
Toquei novamente. Dessa vez com um pouco mais de intensidade.
Finalmente!
– Oi! O que faz aqui? – a sua cara de sono só me deu provas de que eu estava realmente louca.
Respirei fundo. Ele permanecia esperando, impaciente e sonolento.
– O que você viu na lua hoje?
– Como?
– É. O que ela te disse essa noite?
– Está bêbada?
– Não. Só me responda.
Ouvi seu suspiro impaciente. Ele se virou para dentro do apartamento. Seus olhos procuravam algo em particular. Não encontrou.
– Vamos, entra aqui. Você não está bem...
Ele pegou em uma de minhas mãos, me puxando para dentro. Desvie-as em um único reflexo. Encarei-o novamente. Eu ainda ansiava por sua resposta.
– Eu não sei o que ela me disse! Nada, eu acho. Que diferença faz?
– Nada?
Ele assentiu e deu de ombros.
Eu virei as costas para seu belo rosto e fui embora, derrotada.
Os dias se passaram. Eu não tive coragem de procurá-lo desde então.
Mas a bela lua, redonda e branca, me visitava todas as noites. Eu sentia como se estivesse encurralada. Meu quarto era escuro demais e lá fora, claro o bastante a ponto de cegar meus pensamentos e minhas certezas, ela era muito clara, muito lúcida, muito certa de seu brilho. Que inveja da sua segurança!
Tentei voltar até o seu apartamento durante as três noites que se seguiram. Mas não consegui passar da porta. Também não conseguia voltar para o meu quarto.
No final de tarde que se sucedeu, ele veio até mim.
– Você sumiu.
– Sumi? – A lua não pensava da mesma forma.
– Você se lembra do ataque de loucura daquela noite não é?!
– Ataque de loucura?
– A história sobre a lua...
– Ah sim, claro... E você já chegou a alguma conclusão?
– O que? Não! Você só pode estar brincando comigo.
– Não, não estou.
Seus olhos passavam pelo meu corpo. Analisavam calmamente a expressão em meu rosto, que permanecia sereno. Ele ainda procurava algo.
– A lua está bonita se é isso que quer saber – olhou-me novamente, esperou por alguma reação. Desistiu. – Me explique o que há de errado com a lua?
– Errado? Com a lua? De jeito nenhum! Ela que não poderia ser mais pura, mais bela e inocente. A errada na história sou eu. Ou mesmo você... Talvez nós dois.
Ele não disse nada durante algum tempo. Ficamos em silêncio, nossos olhos percorrendo o ambiente, mas nunca se confrontando. Ele estava com medo. Mas seria de mim ou da lua? Não. Não poderia alguém ser capaz de temê-la. Apenas eu, naquele momento de surto, onde a minha fraqueza me incentivou a acreditar que eu realmente poderia me livrar do peso de uma escolha.
De repente, depois de muito tempo, ele compreendeu.
Colocou a mão em seu rosto, a boca entreaberta. Seus olhos haviam encontrado o que tanto procuravam.
Seus passos foram pequenos e muito lentos, mas ele chegou até mim, ajoelhou-se e abraçou minha cintura. Olhou-me com arrependimento, mas depois, gratidão. Beijou a minha barriga e sorriu.
– Por que você não me falou?
Nossos sorrisos se encontraram.
– Eu falei. E sabia que entenderia, não importa quanto tempo levasse. Sabia que a mesma coisa grande e redonda que me amedrontou por um instante, o faria enxergar o caminho com sua luz.
Beijou-a mais uma vez e disse:
– Obrigado.
domingo, 18 de julho de 2010
Quatro Estações

Permitir-se mudar, significa mostrar ao mundo e, principalmente, a você que estás disposto a esquecer-se daquilo que não te pertence mais. É uma prova de que queres abrir caminhos, mudar rotas, conceitos e teorias, fugir da rotina ou até, criar uma nova. Tentar fugir desta, é uma tarefa difícil, visto que o ser humano se apega muito a datas e números e sempre necessita do tempo para começar e terminar algo, como se estivesse sempre buscando vencer seus próprios desafios, suas próprias metas. Mas seguir rotinas não significa depender delas e muito menos rejeitar mudanças. A grande maioria das pessoas tem medo de mudar, porque mesmo que neguem, tem medo de perder algo que não possuem mais. Acontece que a mente é sempre a última a livrar-se de coisas passadas, e somente através de mudanças repentinas, que ensinamos a ela como buscar coisas novas e esquecer de vez aquelas que só fazem mal por estarem confinadas eternamente ao passado.
Evolução
A cada ano que passa o mundo evolui e a humanidade junto com ele. Pelo menos é o que se espera já que, na teoria, o mundo não pode evoluir sem ela. Mas pode evoluir sem parte dela. A teoria, mais uma vez, nada tem haver com a prática. No mundo do caos, permita-me chamá-lo assim, só evolui aquele que for interessado o bastante para fazer crescer a economia, aquele que está interessado em enfrentar qualquer coisa para conseguir o que quer ou aquele que seria capaz de colocar em risco a própria família para “salvar” uma nação. Mas o que podemos chamar de evolução? Bombas atômicas e armas capazes de destruir o mundo num piscar de olhos? Não acho que compreenda mais o sentido dessa palavra. O que se caracteriza por evolução hoje, nada tem haver com seu significado do dicionário. Talvez, então, devêssemos estabelecer uma nova compreensão desta palavra, para que todos no mundo possam vir a entender que evolução deixou de ser um sinônimo de progresso há muito tempo. Ou talvez devêssemos parar de ser ignorantes e enxergar o que esta diante dos nossos olhos. A caracterização de evolução hoje me lembra o fim daquilo que buscávamos salvar. Como se todas as tentativas de salvar o planeta fossem em vão, já que, não é uma tsunami, um tornado ou uma era glacial que ira destruir o planeta. Mas sim, o homem com suas armas de última tecnologia.
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