domingo, 9 de dezembro de 2012

5 minutos


A sua respiração é forte.
Vejo seu peito estufar lentamente enquanto você dorme ao meu lado como uma criança, completamente entregue ao próprio sono. Fico pensando quanto tempo ainda vai permanecer assim.
Sinto medo do que vou encontrar pelo meu caminho depois que passar essa sensação. Talvez demore ainda alguns minutos.
Pensava que seria capaz de adiar.
Pensava que seria capaz de tudo, mas eu tenho vontade de me render a qualquer coisa agora. Observo sua expressão, impenetrável, e fico tentando imaginar que parte do mundo você está descobrindo nesse instante. É como se o mundo inteiro pudesse caber aí dentro. Ou aqui fora.  
Os cinco minutos passam depressa demais.
Queria congelar esse momento.
Esse momento de neblina escura, onde eu quase não vejo nada e quase não sinto a necessidade de ver. É o momento em que eu acho que ainda não estou entregue à você.
Mas tudo bem.
Ainda tenho cinco minutos.
Talvez eu consiga mudar alguma coisa.
Talvez o tempo se arraste e demore a passar.
Talvez.
Eu ainda tenho tempo.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Colapso


Os sonhos contigo não cabem aqui:
Explodem.
E eu tenho vontade de.

Explodo-me
Afogo-me
Lanço-me no vão,
No escuro,
No inseguro,
No destino sem volta
Do seu olhar.

Despedaço-me
Inteira.
E assim permaneceria
Para que pudesse preenche-lo
Inundar todo o seu corpo
Todo o espaço que ainda permanece
Que ainda nos separa
Maltrata
Nos delimita.

Derreto-me
Como um eterno lança chamas.
Escorro por seus dedos
Braços abraços
Beijos infinitos
E as chamas escorrem por nós
E nos ligam intimamente
Como um elo
Um selo
Imutável
de amor.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Incêndios de Uma Noite Qualquer


Incendeio-lhe
Incendeia-me
Incendeia-nos
Incendeia!
Faz arder
O fogo
O calor
A dor
O brilho
O intenso renascer
Que faz brotar de mim
Que faz brotar de ti
Que faz das cinzas o nosso crescer
Que faz de nós
O nosso incendiar
Que fez de nós
O anoitecer.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Excessos


Pânico-explosões-luzes-refletindo-de-nós.
Excessos.
Evaporam de dentro de mim
Para fora de algo
Que eu julgava me preencher.
Meus olhos reviram
Meu corpo suspira
Minha alma transborda
Em pequenas porcões
Aos montes
Aos pontos finais
Aos infinitos que nos sufocam
Que acumulam em nós.
E extravasa.
Paz.
Pequenas doses de excessos
De loucura
De prazer.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Corpo-Corpo


Mãos
Toques
Corpo-corpo
Suspiros-sussurros-delírios
Boca-boca
Desejos.

Mãos
Deslizam 
Preenchem-nos.
Corpo-alma-corpo.
Corpo-alma-corpo.

Você
Eu

Abismos que nos fortalecem
Abismos que nos distanciam

De nós
Dos outros
Do mundo
De mim.

sábado, 29 de setembro de 2012

Madrugada


Bate-rebate-bate.
Volta de mim
Chega à ti
Corre até mim.
Alcança-nos.
Separa-nos. 
Une-nos.
E assim terminamos,
A noite, as estrelas
Se despedem,
Desaparecem.
E, logo mais,
Amanhece.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Um Título Qualquer


Procurava um nome.
Insistia.
Rebatia-me.
Machucava tudo que existia dentro de mim enquanto procurava um nome para descrevê-lo.
Des-cre-ver-nos.
Pra que?
Parece que me aprisionei ao mistério que criei e confundi toda essa escuridão com algo que gostaria de sentir.
Nome. Nome. Nome. Nome. Nome.
AH!
A gente insiste em nomear tudo que nos ronda. Tudo que nos faz chorar ou sorrir. E, sobretudo, tudo que transborda de nós. Como você.
Porque a verdade mesmo é que você nunca coube aqui dentro.
Mas eu queria um nome para isso.
Um nome para esse desejo-consumista-que-batia-por-você-e-que-não-se-contentava-em-caber-dentro-de-mim. Foda-se.
Eu pensava que dar nome às coisas lhe atribuiria um peso.
Ilusão.
O fato de trata-lo como algo-que-não-tinha-nome já era um nome propriamente.
O mais pesado deles.
Fui fisgada por mim mesma.
Diabos.