sábado, 3 de agosto de 2013

Traçados a mão

Guardaríamos um sonho bom para mais tarde – esse era o plano.


Cultivaríamos o que quiséssemos. E assim a colheita seria deliciosa.
Mas não dá pra controlar o regime das chuvas. Logo mais tudo aqui em volta estará alagado. E não restará mais nada. Nada do que somos restará ainda que como pó. O pó ficará até o momento em que a correnteza de ar atravessar os nossos corpos fazendo toda a poeria voar. O pó que restar vai ficar intrometido no meio dos moveis e embaixo dos tapetes. Fora isso, nada. E eu nunca gostei daquele tapete.
Mas por que então chorar o fim? Por que adiá-lo como se o temêssemos?

Você olhará para mim como se não me reconhecesse.
E eu farei o mesmo.
Bateremos as portas.
E um dia talvez nos esbarremos na rua e os nossos olhos nos traiam. Ou talvez não. Talvez eles fujam e a gente fingirá que não se conhece. Ou se conheceu.
Lembraremos então, um do outro. Você vai olhar pra trás, mas não vai me achar. Tudo bem, não teríamos nada pra falar. É melhor assim.

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