sexta-feira, 26 de abril de 2013

Djavanizando

O amor que cresce em nós
circula como água
que desce com a chuva.
Esquenta.
Volta para o céu
que escurece
e carrega
(novamente)
as nuvens
desagua
em mim
e eu
oceano.
Oceano-me
dentro do seu corpo
imenso
e afogo
-me
por prazer
e devoção
à você.

terça-feira, 9 de abril de 2013

Infinitizar-Nós


Adoro infinitos.

Retas que seguem lado a lado 
Ultrapassam o papel que lhes é delimitado
Ultrapassam o limite que lhes fora concedido
E seguem juntas rumo ao desconhecido.

Adoro a ideia de estar em órbita
Afogada e imersa nesse grande universo
Onde cabem estrelas
Infinitas, também.

Adoro a ideia de viver de amor com você.
E adoro como essa idéia parece infinita hoje.

Infinitizo-nos
Para perpetuar o que somos
O que queremos ser
O que queremos fazer
Dentro do nosso imenso mar
Infinito
De amor.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Um Instante


Amor,
escuta,
eu preciso falar agora.
É, eu sei.
É só escutar
um instante.
Quanto custa
um instante?
Nós?
Talvez seja um preço alto a pagar.
Que seja então
nós.
Pagaria esse preço.
Não.
Não tenho dinheiro.
Mas gostaria.
Arriscaria.
Você
não?
Sei lá.
Acho que estarmos juntos
já é caro demais.
E por que então
o risco
não valeria?

quarta-feira, 13 de março de 2013

Infinito Particular


Ele chega de mansinho na calada da noite
Deita ao meu lado
Encosta a cabeça em meu peito
E adormece.
Repousa em mim tamanho peso
Que sufoca o meu corpo
Me tira o sono
Me tira 
Tudo.
As luzes se apagam
E tudo se perde no ar:
Eu me perco de mim
De ti,
E temo em pensar que você também se perca
No meio dessa imensidão
Que me inunda.
E assim espero raiar o dia
- um novo dia,
Em que eu possa matar todo esse pesar
Saciando-me com doses carregadas
De você.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Pão-Com-Manteiga


Sinto falta do barulho que ele fazia para cortar as cebolas. O excesso de manteiga que passava no pão. As doses exatas de açúcar que colocava no meu café.
Voltávamos pra cama e espalhávamos pelos lençóis o excesso de amor que talvez não coubesse em nenhum outro lugar. O café esfriava.
Sinto falta de ver a sombra do seu pé se aproximando por debaixo da porta. Os seus sapatos. A maneira como os organizava. E desorganizava suas camisas. A escova de dente que dividíamos às vezes. As colheres. Os garfos. Não. Os garfos não. Os garfos eram terríveis. Você tentava quebra-los sempre que comia com eles. Os dentes batiam com força no metal e faziam um barulho alto demais. Eu me levanta da mesa, todas às vezes. Você vinha atrás de mim. Vinha com o restante de comida na boca. E o som se repetia à medida que tentava falar. Brigávamos.
As portas se batiam.
Você dormia no sofá.
Eu dormia na metade do colchão.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Correnteza


Meus olhos não conseguem se soltar.
Aprisionaram-se a você e a todo esse castelo que construí para nós. A tudo que não ocorreu e que existiu apenas nas noites estreladas em que dançávamos no céu.
Nós dois.
Sobre o negro céu que se bordava sob a forma de estrelas coloridas.
As imagens se formam e se reformam como nuvens na minha mente. Apostando corrida pelo infinito solar que ainda cabe dentro de mim. Parece que nunca saíram daqui. Talvez não tenham, realmente.
Talvez a minha sina seja escrever sobre você. Dedicar-lhe a certeza de caber inteiramente naquilo que eu julgo ser o meu mais precioso dom.
Meus dedos se melam com o lápis e o papel e as folhas e o excesso de linhas que se formam ao meu redor.
E escorregam.
Mas eu insisto. Eu preciso insistir.
Você me sufoca.
Me sufoca com doses relativamente leves da sua existência.
Afogo-me no meio de tudo isso. E acho que gosto.
Gosto muito.
Quanto mais água eu engulo, mais pesado fica o meu corpo. Que afunda.
Afunda no abismo da imensidão.
Infinitamente.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Labirintos


Dizeres tentam transbordar,
Escorrer de mim enquanto me revelam
- ou revelariam,
Denunciariam o meu coração
A minha estupidez.
Mordo a língua.
Engulo-o.
Engulo-nos.
Chego em casa e preciso colocá-lo
Para fora
Daqui.
Vomito tudo.
E depois te encontro.

Dizeres tentam transbordar
De mim.