terça-feira, 9 de abril de 2013

Infinitizar-Nós


Adoro infinitos.

Retas que seguem lado a lado 
Ultrapassam o papel que lhes é delimitado
Ultrapassam o limite que lhes fora concedido
E seguem juntas rumo ao desconhecido.

Adoro a ideia de estar em órbita
Afogada e imersa nesse grande universo
Onde cabem estrelas
Infinitas, também.

Adoro a ideia de viver de amor com você.
E adoro como essa idéia parece infinita hoje.

Infinitizo-nos
Para perpetuar o que somos
O que queremos ser
O que queremos fazer
Dentro do nosso imenso mar
Infinito
De amor.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Um Instante


Amor,
escuta,
eu preciso falar agora.
É, eu sei.
É só escutar
um instante.
Quanto custa
um instante?
Nós?
Talvez seja um preço alto a pagar.
Que seja então
nós.
Pagaria esse preço.
Não.
Não tenho dinheiro.
Mas gostaria.
Arriscaria.
Você
não?
Sei lá.
Acho que estarmos juntos
já é caro demais.
E por que então
o risco
não valeria?

quarta-feira, 13 de março de 2013

Infinito Particular


Ele chega de mansinho na calada da noite
Deita ao meu lado
Encosta a cabeça em meu peito
E adormece.
Repousa em mim tamanho peso
Que sufoca o meu corpo
Me tira o sono
Me tira 
Tudo.
As luzes se apagam
E tudo se perde no ar:
Eu me perco de mim
De ti,
E temo em pensar que você também se perca
No meio dessa imensidão
Que me inunda.
E assim espero raiar o dia
- um novo dia,
Em que eu possa matar todo esse pesar
Saciando-me com doses carregadas
De você.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Pão-Com-Manteiga


Sinto falta do barulho que ele fazia para cortar as cebolas. O excesso de manteiga que passava no pão. As doses exatas de açúcar que colocava no meu café.
Voltávamos pra cama e espalhávamos pelos lençóis o excesso de amor que talvez não coubesse em nenhum outro lugar. O café esfriava.
Sinto falta de ver a sombra do seu pé se aproximando por debaixo da porta. Os seus sapatos. A maneira como os organizava. E desorganizava suas camisas. A escova de dente que dividíamos às vezes. As colheres. Os garfos. Não. Os garfos não. Os garfos eram terríveis. Você tentava quebra-los sempre que comia com eles. Os dentes batiam com força no metal e faziam um barulho alto demais. Eu me levanta da mesa, todas às vezes. Você vinha atrás de mim. Vinha com o restante de comida na boca. E o som se repetia à medida que tentava falar. Brigávamos.
As portas se batiam.
Você dormia no sofá.
Eu dormia na metade do colchão.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Correnteza


Meus olhos não conseguem se soltar.
Aprisionaram-se a você e a todo esse castelo que construí para nós. A tudo que não ocorreu e que existiu apenas nas noites estreladas em que dançávamos no céu.
Nós dois.
Sobre o negro céu que se bordava sob a forma de estrelas coloridas.
As imagens se formam e se reformam como nuvens na minha mente. Apostando corrida pelo infinito solar que ainda cabe dentro de mim. Parece que nunca saíram daqui. Talvez não tenham, realmente.
Talvez a minha sina seja escrever sobre você. Dedicar-lhe a certeza de caber inteiramente naquilo que eu julgo ser o meu mais precioso dom.
Meus dedos se melam com o lápis e o papel e as folhas e o excesso de linhas que se formam ao meu redor.
E escorregam.
Mas eu insisto. Eu preciso insistir.
Você me sufoca.
Me sufoca com doses relativamente leves da sua existência.
Afogo-me no meio de tudo isso. E acho que gosto.
Gosto muito.
Quanto mais água eu engulo, mais pesado fica o meu corpo. Que afunda.
Afunda no abismo da imensidão.
Infinitamente.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Labirintos


Dizeres tentam transbordar,
Escorrer de mim enquanto me revelam
- ou revelariam,
Denunciariam o meu coração
A minha estupidez.
Mordo a língua.
Engulo-o.
Engulo-nos.
Chego em casa e preciso colocá-lo
Para fora
Daqui.
Vomito tudo.
E depois te encontro.

Dizeres tentam transbordar
De mim.

domingo, 9 de dezembro de 2012

5 minutos


A sua respiração é forte.
Vejo seu peito estufar lentamente enquanto você dorme ao meu lado como uma criança, completamente entregue ao próprio sono. Fico pensando quanto tempo ainda vai permanecer assim.
Sinto medo do que vou encontrar pelo meu caminho depois que passar essa sensação. Talvez demore ainda alguns minutos.
Pensava que seria capaz de adiar.
Pensava que seria capaz de tudo, mas eu tenho vontade de me render a qualquer coisa agora. Observo sua expressão, impenetrável, e fico tentando imaginar que parte do mundo você está descobrindo nesse instante. É como se o mundo inteiro pudesse caber aí dentro. Ou aqui fora.  
Os cinco minutos passam depressa demais.
Queria congelar esse momento.
Esse momento de neblina escura, onde eu quase não vejo nada e quase não sinto a necessidade de ver. É o momento em que eu acho que ainda não estou entregue à você.
Mas tudo bem.
Ainda tenho cinco minutos.
Talvez eu consiga mudar alguma coisa.
Talvez o tempo se arraste e demore a passar.
Talvez.
Eu ainda tenho tempo.