quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Excessos


Pânico-explosões-luzes-refletindo-de-nós.
Excessos.
Evaporam de dentro de mim
Para fora de algo
Que eu julgava me preencher.
Meus olhos reviram
Meu corpo suspira
Minha alma transborda
Em pequenas porcões
Aos montes
Aos pontos finais
Aos infinitos que nos sufocam
Que acumulam em nós.
E extravasa.
Paz.
Pequenas doses de excessos
De loucura
De prazer.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Corpo-Corpo


Mãos
Toques
Corpo-corpo
Suspiros-sussurros-delírios
Boca-boca
Desejos.

Mãos
Deslizam 
Preenchem-nos.
Corpo-alma-corpo.
Corpo-alma-corpo.

Você
Eu

Abismos que nos fortalecem
Abismos que nos distanciam

De nós
Dos outros
Do mundo
De mim.

sábado, 29 de setembro de 2012

Madrugada


Bate-rebate-bate.
Volta de mim
Chega à ti
Corre até mim.
Alcança-nos.
Separa-nos. 
Une-nos.
E assim terminamos,
A noite, as estrelas
Se despedem,
Desaparecem.
E, logo mais,
Amanhece.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Um Título Qualquer


Procurava um nome.
Insistia.
Rebatia-me.
Machucava tudo que existia dentro de mim enquanto procurava um nome para descrevê-lo.
Des-cre-ver-nos.
Pra que?
Parece que me aprisionei ao mistério que criei e confundi toda essa escuridão com algo que gostaria de sentir.
Nome. Nome. Nome. Nome. Nome.
AH!
A gente insiste em nomear tudo que nos ronda. Tudo que nos faz chorar ou sorrir. E, sobretudo, tudo que transborda de nós. Como você.
Porque a verdade mesmo é que você nunca coube aqui dentro.
Mas eu queria um nome para isso.
Um nome para esse desejo-consumista-que-batia-por-você-e-que-não-se-contentava-em-caber-dentro-de-mim. Foda-se.
Eu pensava que dar nome às coisas lhe atribuiria um peso.
Ilusão.
O fato de trata-lo como algo-que-não-tinha-nome já era um nome propriamente.
O mais pesado deles.
Fui fisgada por mim mesma.
Diabos.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Alto Mar


Estou perdida
E não sei quero,
Não sei se devo
Não sei se preciso
Te encontrar.
Nado em direção ao nada
Reflito o vazio
Volto pra ti
Ainda na escuridão
Retorno de mim
Permaneço perdida
Escondida 
Dentro do meu próprio véu
Tentando não torturar
Tentando não me jogar
Não trair-nos no infinito
Desse escuro mar 

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Migalhas


Sacrifiquei-nos
Sem voce saber
Preservo o que ainda é
O que ainda espero que seja:
Singular
A mim 
Restava o desejo 
Romper a sua felicidade
Acabaria me destruindo
Também
Nao quero tê-lo em ruínas
Deixa
Que voce se construa em cima desse amor
Chega de cortar as raízes
É melhor 
Preciso
Chega
De cultivá-lo
Em pequenas porções.

domingo, 2 de setembro de 2012

Ausência


Por você eu não sentia nada.
Só não sabia.
Pensei que havia algo
Acontecendo
Entre nós
Entre mim 
E eu mesma.
Algo.
Mas era vazio.
Vazio sustentado pelo nada.
Ou nem isso.